Radar B.GOMarketing médico · IA · Trends
Edição nº 3Segunda-feira, 12 out 2026Foco · Marketing médico8 min de leitura

Médicos dominam o conteúdo sobre doenças nas redes

Estudo do Pew confirma a vantagem de quem tem credencial. O Pew Research Center analisou 6.334 influenciadores de saúde e bem-estar e 535.512 posts no Instagram, TikTok e YouTube: entre os que se apresentam como médicos e profissionais da medicina convencional, 30% dos posts falam de doenças e 38% de tratamentos, contra 12% e 6% entre os sem credencial. Ao mesmo tempo, só 11% dos posts alertam para riscos e só 9% citam fontes. Na mesma semana, um estudo com médicos do TikTok mostrou que jaleco e consultório aumentam o engajamento, e o CFM detalhou a IA que varre anúncios em busca de especialidade divulgada sem RQE. O recado para as clínicas: credencial, fonte e cenário clínico são o diferencial, desde que venham com compliance.

Capa do Radar Médico nº 3

O que aconteceu

9 notícias
Marketing médico

Pew: médicos lideram conteúdo sobre doenças nas redes

O Pew Research Center publicou em 07/10 um estudo com 6.334 influenciadores de saúde e bem-estar e 535.512 posts no Instagram, TikTok e YouTube, publicados entre fevereiro e abril de 2026. Entre os influenciadores que se apresentam como profissionais da medicina convencional, 30% dos posts falam de doenças e 38% de tratamentos que exigem um profissional. Entre os sem credencial, esses números caem para 12% e 6%. No total, só 11% dos posts alertam para riscos à saúde e só 9% citam fontes externas ao fazer uma afirmação. Cerca de 16% dos influenciadores não informam formação nenhuma na bio, e mesmo assim cerca de 1 em cada 10 posts deles trata de doenças.

Por que importaOs dados mostram que credencial e conteúdo clínico são o diferencial do médico num mar de influenciadores de bem-estar. Para a agência, é argumento para pautas que citem fontes e alertem para riscos, o que também conversa com as exigências da Resolução CFM 2.336/2023.
Fonte: Pew Research Center · 07/10/2026
Trends & formatos

Jaleco e consultório elevam engajamento de médicos no TikTok

Uma pesquisa liderada pela Dra. Suzanne Makarem, da Virginia Commonwealth University (VCU), analisou 330 vídeos de médicos com pelo menos 100 mil seguidores no TikTok e entrevistou 26 jovens da Geração Z que seguem esses perfis. Médicos de roupa profissional receberam bem mais comentários do que os de roupa casual, e vídeos gravados em hospital ou clínica engajaram mais do que os gravados em ambiente pessoal. Os entrevistados disseram que não questionam produtos indicados pelos médicos por causa do status de especialista. Alguns disseram confiar mais nesses influenciadores do que no próprio médico.

Por que importaO cenário clínico e a roupa profissional aumentam o engajamento, mas o mesmo estudo mostra o risco ético de usar essa autoridade para vender produtos. Para a agência, vira diretriz de produção (gravar no consultório, de jaleco) que precisa vir junto com o cuidado de não indicar produtos, como pede o CFM.
Fonte: Tubefilter · 07/10/2026
Ética & regulação

IA do CFM vai caçar anúncios médicos sem RQE

Em evento do programa Divulga CFM em Goiânia, o 3º vice-presidente do CFM, Jeancarlo Fernandes Cavalcante, detalhou o módulo de IA da Plataforma Nacional de Fiscalização, lançado em junho. A ferramenta faz busca automática de publicidade médica fora das regras do CFM. Nas redes sociais, ela detecta anúncios em que médicos divulgam especialidade sem RQE e encaminha os casos aos CRMs. O CFM espera um ganho de cerca de 30% na produtividade da fiscalização. Cavalcante afirmou que nenhuma punição será automática, porque os alertas passam pela análise de médicos fiscais antes de qualquer ação.

Por que importaA fiscalização deixa de depender de denúncia e passa a varrer perfis e anúncios de forma contínua, então o risco de autuação sobe para quem divulga especialidade sem RQE. Para a agência, vale auditar agora bios, criativos e campanhas ativas de todos os clientes.
Fonte: Portal CFM · 01/10/2026
Marketing médico

Google Ads mostra textos da IA antes de ativar o AI Max

O Google Ads passou a mostrar prévias da personalização de texto do AI Max em campanhas de Pesquisa. O anunciante vê até 10 títulos e descrições gerados por IA antes de ativar o recurso. Depois que a URL final é informada, a IA lê a página de destino e gera os exemplos em cerca de 30 segundos. As prévias aparecem na seção de otimização de recursos, tanto ao criar quanto ao editar uma campanha. O Google avisa que os textos são exemplos e podem não ser exatamente os que vão ao ar.

Por que importaNa saúde, um título automático com promessa de resultado pode ferir as regras do CFM. Agora dá para checar o tom da IA antes de ligar o recurso. Para a agência, vira passo obrigatório de compliance antes de ativar o AI Max em contas de clínicas, e a landing page também precisa estar dentro das regras, porque é dela que a IA tira os textos.
Fonte: Search Engine Land · 08/10/2026
Marketing médico

57% das buscas de beleza começam fora do Google

Uma pesquisa da Stella Rising com 511 consumidores de beleza (idade média de 47 anos) mostra que o Google é o primeiro destino para 43% deles. Depois vêm Instagram (11,9%), YouTube (11,2%), TikTok (10,6%) e ferramentas de IA (9,8%). Entre quem descobre um produto no TikTok, 72% vão pesquisar no Google, e só 7% compram direto na plataforma. Na faixa dos 20 anos, Google e IA empatam em 24% como primeiro destino. O Google segue dominante em dúvidas sobre cuidados com a pele e ingredientes, e 59,5% usam IA em algum momento da pesquisa.

Por que importaPara clínicas de dermatologia e estética, a jornada passa por várias plataformas: o vídeo curto desperta o interesse e o Google confirma a confiança. Para a agência, é argumento para planejar Reels e TikTok junto com SEO e Google Meu Negócio, e para medir visibilidade, não só conversão. Os dados vêm de uma pesquisa da própria empresa da autora.
Fonte: Search Engine Land · 07/10/2026
Tecnologia & plataformas

Einstein confirma ataque hacker a dados de pacientes

O Hospital Israelita Albert Einstein anunciou em 08/10 que sofreu um ataque cibernético com acesso não autorizado a parte da sua base de dados de pacientes. Podem ter sido afetados nome, CPF, data de nascimento e registros de saúde, como receitas e resultados de exames. A suspeita foi identificada em 04/08, e o caso foi comunicado à ANPD e à Polícia Federal. O hospital diz não ter encontrado indícios de divulgação ou uso indevido dos dados e afirma que o atendimento não foi afetado. Os pacientes atingidos estão sendo avisados um a um por e-mail.

Por que importaSe um dos hospitais mais estruturados do país foi atingido, clínicas menores que guardam dados de pacientes em CRM, WhatsApp e planilhas também estão expostas sob a LGPD. Para a agência, a notícia reforça o cuidado com listas de leads, públicos personalizados e integrações que lidam com dados sensíveis.
Fonte: Futuro da Saúde · 08/10/2026
IA nas clínicas

Google testa ofertas exclusivas para anunciantes dentro do AI Mode

O Google Ads está testando, em beta, um novo recurso chamado Direct Offer, que mostra promoções a usuários com alta intenção de compra dentro do AI Mode. Ele só funciona em campanhas com AI Max ou personalização de texto. O anunciante informa o nome da oferta, a URL e uma descrição curta, e a IA decide quando a oferta é relevante e pode gerar o texto exibido. Dá para cadastrar códigos promocionais de uso único via CSV, definir datas de início e fim e limites diários. No AI Mode, a oferta aparece abaixo de um resultado patrocinado com a opção de resgatar um código.

Por que importaA busca conversacional começa a ter formatos de anúncio próprios, e quem já usa AI Max sai na frente quando o recurso chegar ao Brasil. Para clínicas, qualquer oferta de preço ou desconto precisa passar antes pelo filtro das regras de publicidade médica, que restringem promoções.
Fonte: Search Engine Land · 07/10/2026
Trends & formatos

Threads lança Gems para premiar posts que geram conversa

O Threads lançou o Gems, um selo que destaca posts e respostas que puxam conversas relevantes. A escolha é feita por algoritmo com base em três critérios: perspectiva nova, diálogo real e originalidade. Conteúdo reciclado ou repostado de outros apps não entra. Os posts premiados ganham um ícone especial no feed, e o autor é avisado e pode compartilhar a conquista. Por enquanto só valem posts públicos de usuários dos Estados Unidos, e o recurso estava em teste desde agosto.

Por que importaA Meta reforça o padrão de recompensar conteúdo original e conversa genuína, o mesmo sinal que vem dando no Instagram. Para a agência, é motivo para testar no Threads pautas de opinião do médico que puxam debate, em vez de só replicar posts do Instagram.
Fonte: Social Media Today · 08/10/2026
Tecnologia & plataformas

Meta acaba com verificação extra para apps que acessam dados de empresas

A Meta deixou de exigir a verificação de acesso de desenvolvedores que criam apps para acessar dados de empresas clientes, mudança detalhada no blog de desenvolvedores da Meta em 09/10. Criada em 2022, essa etapa checava se havia uso legítimo dos dados de outra empresa, e alguns endpoints recusavam chamadas de apps não verificados como Tech Provider. Segundo a Meta, a Verificação de Empresa e a Revisão de Apps amadureceram e já usam sinais mais sofisticados. O texto lembra o caso Cambridge Analytica, de 2018.

Por que importaIntegrar ferramentas de terceiros (CRMs, automações de WhatsApp, painéis de relatório) com as contas Meta das clínicas deve ficar mais simples. Para a agência, sobe a responsabilidade de escolher bem quais apps ganham acesso aos dados dos clientes, porque a Meta tirou uma camada de controle.
Fonte: Social Media Today · 11/10/2026

Ideias de conteúdo

4 pautas prontas
Reels

Quem está falando com você sobre saúde?

“Antes de seguir um conselho de saúde na internet, confira três coisas sobre quem está falando.”
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Médico de jaleco, gravando no consultório, fala direto para a câmera. Na tela entram, um a um: formação e registro no conselho (CRM), título de especialista registrado (RQE) e de onde vem a informação (estudo, diretriz, sociedade médica). Fecha mostrando os próprios dados na tela, como exemplo, e explicando que dúvidas individuais se resolvem na consulta.

CTA
Salve para conferir da próxima vez que receber uma dica de saúde.
Para quem
Todas as especialidades, especialmente dermatologia, endocrinologia e nutrologia, que disputam espaço com influenciadores sem formação.
✓ Tom educativo, sem citar ou atacar perfis e colegas, com nome, CRM e RQE do médico corretos e visíveis. Nada de autopromoção como 'o melhor' ou 'o único'.
Carrossel

Sinais de alerta, com fonte no último slide

“Nem todo sintoma pode esperar. Veja quando procurar avaliação.”
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Capa com o sintoma mais buscado da especialidade. Slides 2 a 4: o que costuma ser comum, o que muda o quadro e os sinais de alerta em destaque. Slide 5 fixo com a fonte (diretriz ou sociedade médica, com ano) e um lembrete de que cada caso é avaliado individualmente. Responde ao dado do Pew de que só 9% dos posts de saúde citam fonte.

CTA
Envie para quem costuma adiar a ida ao médico.
Para quem
Clínica médica, pediatria, cardiologia, gastroenterologia e urologia.
✓ Sem diagnóstico a distância, sem tom alarmista e sem prometer resultado. Fonte real e verificável.
Série de Reels

Uma dúvida, um minuto, no consultório

“Você perguntou, eu respondo em um minuto.”
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Série semanal gravada no consultório, com o médico de jaleco, aproveitando o achado de que cenário clínico e roupa profissional aumentam o engajamento. Cada episódio abre com a pergunta real de um seguidor em cartela (sem identificar a pessoa), traz a resposta objetiva em até 60 segundos e termina com a mesma vinheta. Identidade visual fixa em azul-marinho e dourado.

CTA
Mande sua dúvida nos comentários para o próximo episódio.
Para quem
Todas as especialidades; ótimo para médicos que ainda não gravam com frequência.
✓ Não citar nem indicar marcas ou produtos, não responder casos individuais e não expor nomes de quem perguntou.
Post no Google Meu Negócio

Viu no TikTok? Tire a dúvida com quem é especialista

“Viu uma tendência de skincare nas redes e ficou em dúvida? Entenda antes de testar.”
Ver a pauta completa

Post curto no perfil da clínica no Google, ligado à pesquisa que mostra que 72% de quem descobre algo no TikTok vai confirmar no Google. Explica em linguagem simples por que tendências virais de pele nem sempre servem para todo mundo e convida a esclarecer na consulta. Repetir o tema em uma pergunta e resposta do perfil e numa página de FAQ do site.

CTA
Agende uma avaliação pelo botão do perfil.
Para quem
Dermatologia, medicina estética e tricologia.
✓ Sem citar produtos, sem antes e depois, sem preço ou desconto e sem prometer resultado.

Aprendizado da semana

Credencial virou conteúdo, e também fiscalização

Três notícias da semana contam a mesma história. O Pew mostrou que quem tem formação médica é quem realmente fala de doenças e tratamentos nas redes. Um estudo com médicos do TikTok mostrou que jaleco e consultório aumentam o engajamento. E o CFM passou a usar IA para encontrar anúncios que divulgam especialidade sem RQE. A autoridade do médico é o ativo mais valioso do conteúdo de saúde, e por isso mesmo está sendo observada de perto. Para a agência, a regra prática é simples: mostrar a credencial certa, citar fonte, alertar para riscos e nunca usar a autoridade para vender produto.

Pergunta para discutirTodos os nossos clientes exibem nome, CRM e RQE corretos na bio, nos anúncios e nas landing pages, ou algum deles seria pego hoje pela IA do CFM?

Curadoria semanal da Beyond Marketing Médico. Todo conteúdo sugerido deve passar pela checagem da Resolução CFM 2.336/2023 antes de ser publicado.

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