Radar B.GOMarketing médico · IA · Trends
Edição nº 6Segunda-feira, 2 nov 2026Foco · Marketing médico8 min de leitura

Paciente busca respostas antes da consulta, e clínicas quase não aparecem

A jornada do paciente começa nas redes, longe do consultório. Estudo da Macfor com 28.516 menções mostra que 80,7% dos relatos de experiência do paciente se concentram antes da consulta, e clínicas, hospitais e institutos respondem por só 3,3% desses relatos. Ao mesmo tempo, a Pew Research Center mostra que 60% dos americanos não querem a IA decidindo diagnóstico e tratamento, enquanto o Google amplia anúncios dentro das respostas de IA e o CFM já usa IA para rastrear publicidade médica irregular nas redes. O Novembro Azul, que começou ontem, é o teste prático: há espaço para informar, mas o INCA não recomenda rastreamento de rotina em homens sem sintomas. A lição para a agência é ocupar a fase antes da consulta com conteúdo educativo, assinado pelo médico, revisado à luz da Resolução CFM 2.336/2023 e pronto para ser lido por pessoas, buscadores e pela fiscalização automatizada.

Capa do Radar Médico nº 6

O que aconteceu

8 notícias
Marketing médico

80,7% dos relatos de pacientes nas redes são pré-consulta

O estudo Saúde & influênc.IA, da agência Macfor, analisou 28.516 menções públicas no Instagram, Facebook, Bluesky, LinkedIn e Reddit sobre 15 condições crônicas, coletadas entre 20 de julho e 19 de agosto de 2026. Entre os relatos de experiência do paciente, 80,7% tratam da fase anterior à consulta, com dúvidas sobre sintomas, causas, alívio e quando procurar um médico. Nesses relatos, influenciadores e perfis pessoais somam 53,7% dos emissores, médicos e especialistas 19,5%, e clínicas, hospitais e institutos apenas 3,3%. O levantamento também enviou 540 perguntas ao ChatGPT e ao Gemini: o Gemini citou alguma fonte em 53,9% das respostas, e o ChatGPT trouxe referências explícitas em 0,7%.

Por que importaO paciente forma opinião antes de marcar a consulta, e hoje quem ocupa esse espaço são perfis pessoais, não médicos nem clínicas. Para a agência, há uma lacuna clara para conteúdo educativo sobre sintomas e sinais de alerta, sem promessa de resultado e sem diagnóstico à distância, como pede a Resolução CFM 2.336/2023.
Fonte: Marcas e Mercados · 30/10/2026
Ética & regulação

CFM mostra à OAB sua IA que fiscaliza publicidade médica

O CFM apresentou à OAB, em videoconferência na terça-feira (27), a ferramenta de inteligência artificial que rastreia redes sociais em busca de possíveis infrações à publicidade médica, comparando os posts com a Resolução CFM 2.336 e o Código de Ética Médica. Na fase inicial, o conselho registrou ganho de 30% em eficiência, e os CRMs do Rio Grande do Norte e de Minas Gerais já operam o sistema, com Goiás como próximo da fila. Todo alerta passa por análise humana antes de qualquer providência, e o CFM relatou a retirada do ar de dezenas de perfis de avatares que simulavam médicos. A OAB pediu o encontro porque avalia criar uma solução semelhante para a advocacia.

Por que importaA fiscalização da publicidade médica deixou de depender só de denúncia e passa a ser automatizada e em expansão pelos CRMs. Todo post de cliente precisa nascer conforme a Resolução CFM 2.336/2023, com nome, CRM e RQE quando houver, porque a chance de ser encontrado pela máquina só aumenta.
Fonte: Conselho Federal de Medicina · 28/10/2026
IA nas clínicas

Pew: 60% se sentem desconfortáveis com IA no próprio diagnóstico

Relatório da Pew Research Center divulgado em 29 de outubro, com 3.488 adultos americanos ouvidos entre 22 e 28 de junho de 2026, mostra que 60% se sentem desconfortáveis com o uso de IA no próprio cuidado para tarefas como diagnóstico e tratamento, contra 30% confortáveis. A opinião sobre o efeito nos resultados de saúde está dividida: 37% acham que a IA vai melhorar, 36% que vai piorar e 26% que fará pouca diferença. Além disso, 51% dizem que a IA vai piorar a segurança das informações de saúde, e 47% que vai piorar a relação entre médico e paciente. A pesquisa indica abertura maior quando há revisão humana em tarefas como análise de exames.

Por que importaO paciente aceita a IA como apoio, mas quer o médico no comando da decisão, o que vale como diretriz de comunicação para clínicas que adotam essas ferramentas. Ao divulgar tecnologia, a agência deve destacar a supervisão médica e a proteção de dados, em linha com a Resolução CFM 2.454/2026, e nunca vender a IA como substituta do profissional.
Fonte: Pew Research Center · 29/10/2026
Marketing médico

Novembro Azul começa com alerta do INCA contra rastreamento de rotina

O Brasil deve registrar 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do INCA, o que faz dele o tumor mais frequente entre os homens, sem contar o câncer de pele não melanoma. O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento de rotina em homens sem sintomas, por causa de falsos positivos, sobrediagnóstico e tratamentos desnecessários. O PSA alterado, sozinho, não confirma câncer, e homens com sintomas suspeitos devem procurar avaliação médica em qualquer idade. O risco cresce sobretudo depois dos 60 anos e pesa mais quando pai ou irmão tiveram a doença antes dessa idade.

Por que importaO Novembro Azul é o principal gancho de conteúdo do mês para urologistas, clínicas e laboratórios, mas mensagens do tipo "faça seu PSA" para todos contrariam a orientação oficial. A agência deve trocar o apelo genérico por informação sobre sintomas, fatores de risco e decisão compartilhada com o médico, sem sensacionalismo e sem promessa, como exige a Resolução CFM 2.336/2023.
Fonte: Diário do Grande ABC · 29/10/2026
Tecnologia & plataformas

Google amplia anúncios nas respostas de IA após receita de busca estagnar

No balanço do terceiro trimestre da Alphabet, o volume de buscas cresceu 12%, abaixo dos 17% do segundo trimestre e dos 19% do primeiro, e a receita de busca ficou estável. A vice-presidente sênior Anat Ashkenazi atribuiu parte do impacto à menor monetização do AI Mode, que cresce em número de consultas. Em resposta, o Google vai levar anúncios nos AI Overviews e no AI Mode a mais usuários, consultas e mercados internacionais, além de testar anúncios em conversas de várias etapas nos EUA. A matéria lembra uma reportagem do New York Times segundo a qual até 10% dos AI Overviews trazem informação incorreta.

Por que importaA busca por médico e clínica migra para respostas geradas por IA, e o espaço pago passa a existir também ali, inclusive fora dos EUA. A agência precisa preparar campanhas e páginas de clientes para esse formato, com informações corretas e verificáveis, já que um erro da IA sobre saúde também atinge a reputação de quem anuncia ao lado.
Fonte: Social Media Today · 01/11/2026
Trends & formatos

Instagram oferece até US$ 500 mil por vídeos longos, diz reportagem

Segundo o Business Insider, o Instagram ofereceu a criadores selecionados US$ 50 mil para publicar vídeos longos no Features, formato em teste nos EUA que aceita vídeos de até 90 minutos, e algumas propostas chegaram a US$ 500 mil. A Meta não confirmou os valores, mas disse que está financiando conteúdo do Features diretamente com alguns criadores, e Adam Mosseri afirmou estudar formas de pagar quem produz vídeo longo. Dados da VidIQ citados na matéria mostram que o YouTube paga de US$ 1 a US$ 10 a cada mil visualizações de vídeo longo, enquanto a monetização por visualização no Instagram é praticamente zero sem publicidade de marca. A Social Media Today lembra que o IGTV teve estratégia parecida e foi encerrado em 2022.

Por que importaO Instagram quer ser casa também de vídeo longo, formato que combina com aulas, explicações de procedimentos e entrevistas de médicos. Vale testar cortes longos de conteúdo educativo já produzido, sem abandonar o YouTube, que segue mais maduro para busca e monetização.
Fonte: Social Media Today · 01/11/2026
IA nas clínicas

IA faz triagem de mamografias em até cinco minutos

A solução da HarpiAI, integrada ao visualizador de imagens da healthtech Pixeon, sinaliza massas, nódulos e calcificações e classifica as mamografias por nível de criticidade, com resultado em até cinco minutos. Em estudo interno em três clínicas, as reconvocações de pacientes caíram em média cerca de 95%, e um serviço em Goiânia passou de cerca de 8 reconvocações por mês para apenas 1 em seis meses. A empresa diz processar cerca de 130 mil exames por mês em aproximadamente 200 unidades, com mais de 120 clientes em 22 estados. Os números vêm da própria empresa, sem revisão independente, e a decisão diagnóstica segue com o médico.

Por que importaClínicas de imagem passam a ter tecnologia como diferencial de agilidade e experiência do paciente, um argumento forte para comunicação. A agência pode divulgar o recurso como apoio ao laudo médico, sem prometer acerto diagnóstico e sem usar números internos como garantia de resultado.
Fonte: Saúde Digital News · 28/10/2026
Marketing médico

PETA transforma presunto em vilão de terror contra carne processada

Para o Halloween, a PETA lançou um curta no estilo slasher em que o Hamface, criatura feita de bacon, presunto e salsicha, persegue uma família dentro de casa. A campanha foi criada pela Pablo London, dirigida pela dupla RIOT, formada por Amy Fasey e Nathalie Gordon, e produzida pela ArtClass. A base da mensagem é a classificação da carne processada como carcinogênica para humanos pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, braço da Organização Mundial da Saúde. A peça fecha com a pergunta "quem você está convidando para jantar?".

Por que importaA campanha mostra como um dado científico seco ganha alcance quando vira narrativa de entretenimento ligada a uma data sazonal. Para clínicas, a lição é usar criatividade e humor com base em evidência, mas sem medo exagerado nem sensacionalismo, que a Resolução CFM 2.336/2023 veda na publicidade médica.
Fonte: B9 · 30/10/2026

Ideias de conteúdo

4 pautas prontas
Reels

O que acontece antes da sua consulta

“Você já pesquisou seu sintoma antes de marcar consulta? Quase todo mundo faz isso.”
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O médico reconhece que o paciente chega pesquisado e mostra, de forma acolhedora, como separar informação confiável de conteúdo duvidoso: quem assina, se cita fonte, se promete cura. Fechar explicando o que levar para a consulta (lista de sintomas, exames anteriores, remédios em uso) para aproveitar melhor o tempo.

CTA
Salve este vídeo para usar antes da sua próxima consulta.
Para quem
Todas as especialidades, sobretudo clínicos, gastro, endócrino e reumato
✓ Conteúdo educativo, sem orientar caso individual nem prometer resultado. Nome, CRM e RQE na tela.
Carrossel

Novembro Azul sem exagero: o que a ciência recomenda

“Todo homem precisa fazer exame de próstata todo ano? A resposta é mais cuidadosa do que parece.”
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Slides que explicam a diferença entre rastreamento de rotina e investigação de sintomas, citando a posição do INCA e do Ministério da Saúde, os sinais que merecem avaliação e a importância da decisão compartilhada com o urologista conforme idade e histórico familiar. Último slide com convite para conversar com o médico, sem pressão.

CTA
Envie para o homem da sua vida que tem dúvida sobre o exame.
Para quem
Urologistas, clínicos e médicos de família
✓ Sem alarmismo nem promessa de cura, sem preço ou pacote de check-up. Citar fontes oficiais e identificar o médico com CRM e RQE.
Stories

Caixinha: o que você pesquisou antes de vir aqui?

“Conta pra gente: qual foi a última dúvida de saúde que você jogou no Google ou na IA?”
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Sequência de Stories com caixinha de perguntas e enquete (Google, IA, Instagram ou amigos). Nos dias seguintes, o médico responde as dúvidas mais comuns em vídeos curtos, sem identificar quem perguntou. As respostas viram pauta de Reels e FAQ do site.

CTA
Mande sua dúvida na caixinha.
Para quem
Clínicas com equipe de social media ativa e médicos que gravam com frequência
✓ Não identificar pacientes nem responder caso individual com diagnóstico. Respostas gerais e educativas.
Vídeo curto

IA na clínica: o que ela faz e o que continua com o médico

“Tem IA aqui na clínica. Mas quem decide o seu tratamento continua sendo uma pessoa.”
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Bastidor curto mostrando, sem expor dados, onde a tecnologia ajuda (agendamento, organização de exames, apoio à leitura de imagem) e reforçando que o diagnóstico e a conduta são sempre do médico. Responde à desconfiança mostrada na pesquisa Pew com transparência.

CTA
Ficou alguma dúvida sobre tecnologia na consulta? Pergunte nos comentários.
Para quem
Clínicas de imagem, diagnóstico e redes com prontuário digital
✓ Transparência sobre o uso de IA e supervisão médica, em linha com a Resolução CFM 2.454/2026. Nada de prometer precisão ou resultado superior.

Aprendizado da semana

Quem ocupa o antes da consulta conquista a confiança

O paciente chega ao consultório depois de pesquisar, ler relatos e perguntar para a IA. O estudo da Macfor mostra que quase toda conversa sobre a jornada acontece nessa fase e que as clínicas quase não participam dela. Ao mesmo tempo, o CFM já usa IA para rastrear publicidade irregular, e o Google passa a vender espaço dentro das respostas de IA. Para a agência, o caminho é transformar as dúvidas reais dos pacientes em conteúdo educativo, assinado pelo médico, citando fontes oficiais e revisado contra a Resolução CFM 2.336/2023 antes de ir ao ar. Conteúdo bom para o paciente, para o buscador e para a fiscalização é o mesmo conteúdo.

Pergunta para discutirQuais são as 10 perguntas que os pacientes do seu cliente fazem antes de marcar a consulta, e quantas delas já têm resposta no perfil e no site?

Curadoria semanal da Beyond Marketing Médico. Todo conteúdo sugerido deve passar pela checagem da Resolução CFM 2.336/2023 antes de ser publicado.

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